ENTREVISTA A ...
JOÃO PONTE E SOUSA
QUE BALANÇO FAZES DESTES ANOS LIGADO AO BASKETBALL? Foram, até hoje, 20 anos excelentes. Aprendi, aprendo e aprenderei enquanto puder o jogo que mais creio representar a bondade social competitiva e, desde 2010, ensino, e ensinarei enquanto puder também, tudo o que sei a crianças dos 5 aos 10 anos sobre o que é o basquetebol. Recentemente também a raparigas sub-14. ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS? O aspecto mais positivo é, sem dúvida, a oportunidade que tive de experimentar uma realidade muito prática do que é o processo de ensino e aprendizagem em contexto activo. O aspecto mais negativo foi o ultrapassar de dificuldades para atingir o actual estado em que me encontro. Contudo, até essas dificuldades são encaradas como algo em que se aplica uma das minhas máximas: “desculpa-se o mal que sabe, pelo bem que faz”. TENS ALGUM PROJECTO LIGADO AO BASKETBALL QUE GOSTARIAS DE CONCRETIZAR? Gostaria muito de poder concretizar o projecto em que me encontro, enquanto jogador, e que visa atingir a obtenção de um título de campeão nacional. Enquanto treinador encontro-me também num projecto que espero concretizar-se dentro de 3 anos, quando os primeiros jogadores levados pelo meu clube dos 5-6 anos até aos 10 anos derem o salto do escalão de mini-8 para mini-12. Nas selecções regionais ir sempre o mais longe possível. QUAL A TUA OPINIÃO ÀCERCA DO BASKETBALL NACIONAL? A minha opinião àcerca do basquetebol nacional pode ser explicada da seguinte forma: Quando a realidade comercial parece estar desfavorecida é quando é tempo de apostar na formação. Um dia seremos grandes! Mas, não prevejo que isso se consiga esperando que a média de alturas cresça. É com trabalho e grande domínio das regras do jogo, tanto das escritas como das não escritas, que lá chegaremos. TENS ALGUMA OPINIÃO FORMADA SOBRE O QUE DEVE SER ALTERADO PARA MELHORAR AS COMPETIÇÕES? A melhoria das competições depende decisivamente da presença de pessoas a ver os jogos. Isso exige um esforço de divulgação só possível através do uso das modernas técnicas de informação. É através da criação de sítios electrónicos, como este onde se lê esta entrevista, que poderemos atrair assistências consideráveis. E, atrevo-me a prognosticar, quanto mais depressa houver no “u-tube” uma forte presença do basquetebol português, com bons vídeos multimédia anunciando jogadores e equipas portuguesas, muito à semelhança do que faz a NBA e a ACB, mais depressa sairemos do quase anonimato actual. QUAL A GRANDE LACUNA NO BASQUETEBOL DE FORMAÇÃO? Trabalhando, como trabalho, como treinador de minibásquete, e de sub-14 feminino, devo dizer que falta um esforço para aumentar o número de momentos competitivos, chamados convívios no minibásquete. As crianças precisam de competir para se desenvolverem harmoniosamente, fora e dentro do jogo, e o basquetebol é a modalidade mais adequada para servir de ocupação para os tempos livres de estudos bibliográficos, mas exige competições arbitradas. UM JOGO INESQUECÍVEL Respondo com um jogo inesquecível onde eu tenha participado como jogador. Visto que tive apenas dois anos antes de entrar na equipa sénior, destaco um jogo da taça nacional de cadetes onde, só com um ano de experiência competitiva, e do alto de uns escassos 185 cm, “tirei da cartola” 18 pontos e liderei a equipa numa vitória sobre aquela que era considerada a equipa mais forte, proveniente da zona de Lisboa, por todos chamada “Queluz”. Respondo também como treinador, porque no ano passado, no último momento competitivo da época, vi os meus pequenos jogadores e as minhas pequenas jogadoras interpretarem perfeitamente as minhas palavras e fazerem uma grande vitória num dos jogos do afamado torneio de minibásquete de Reguengos de Monsaraz. Respondo ainda como adepto porque me lembro muito bem da emoção que tive ao ver o Benfica do Carlos Lisboa a vencer o Juventude de Badalona, ou ao ver a equipa nacional passar a fase de grupos, recentemente, pela primeira vez numa competição. UMA SITUAÇÃO CARICATA QUE SE TENHA PASSADO EM CAMPO A situação mais caricata que vivi, eu próprio, foi após uma bola ao ar. Ao fazer a recepção ao solo bati, com alguma força, com uma nádega num joelho do adversário. A dor foi alguma e, dado o meu aspecto dorido, o massagista, voluntarioso, perseguiu-me, já com o jogo parado, mas dentro de campo, querendo pôr gelo. Talvez não seja difícil imaginar o ridículo da coisa tendo em vista o local que ele queria “arrefecer”! COMO TE SENTES A TRABALHAR COM OS SÉNIORES Continuo a trabalhar como sénior apenas como jogador e sinto-me muito bem. Se um dia o fizer como treinador sentir-me-ei, com certeza, muito confortável e preparado. QUAL A SENSAÇÃO QUE TIVESTE QUANDO O TREINADOR TE CHAMOU PARA O 5 INICIAL Chegar ao cinco inicial foi sempre um agradável prémio. Hoje entendo, contudo, que “isto” se joga com mais: Mínimo 8, máximo 12. Entender o basquetebol como se de futebol se tratasse, onde a titularidade é central por causa do regime de substituições, é um erro crasso dado que não diferencia positivamente um jogo criado para integrar e não para excluir. O QUE ACHAS DO TRABALHO DA EQUIPA SÉNIOR O trabalho da equipa sénior não é tão diferente do trabalho com equipas de formação ao ponto de se poder imaginar que a gestão de egos adultos impede a autoridade do treinador ou o regime de obediência. Se for, mal vão as coisas… Trabalho, trabalho e trabalho, nos treinos, porque os jogos são a continuação, e muita simulação de realidades de jogo, como jogos arbitrados durante os treinos, incluindo a possibilidade de apitar faltas técnicas e de expulsar jogadores, tendo o treinador como árbitro, são ferramentas indispensáveis ao sucesso da equipa sénior, onde a probabilidade de haver quem não aceite regras muitas vezes é maior do que nos escalões de formação. QUAIS OS TEUS OBJECTIVOS Gostaria muito de poder concretizar o projecto em que me encontro, enquanto jogador, e que visa atingir a obtenção de um título de campeão nacional. Enquanto treinador encontro-me também num projecto que espero concretizar-se dentro de 3 anos, quando os primeiros jogadores levados pelo meu clube dos 5-6 anos até aos 10 anos derem o salto do escalão de mini-8 para mini-12. Na selecção regional de sub-14 feminina ir o mais longe possível. QUE CONSELHO DÁS AOS JOGADORES MAIS JOVENS Gostar de jogar basquetebol não é só gostar de passar ou gostar de lançar ou gostar de etc.. É gostar de treinar, é gostar de musculação, é gostar de obedecer ao treinador, de respeitar colegas e adversários, e, só depois, aplicar todas as técnicas individuais e colectivas, de ataque e de defesa, no momento certo, dentro do jogo. Em poucas palavras: “Só se está parado no banco!” O TEU CLUBE PREFERIDO Podia referir-me a clubes que me emocionaram no passado, tanto estrangeiros como nacionais, mas prefiro fixar-me nos meus: “Salesianos Évora Basquetebol” e “Centro de Treinos da Associação de Basquetebol do Alentejo e da Câmara Municipal de Évora” http://www.facebook.com/#!/pages/Centro-de-Treinos-abacme-de-Minib%C3%A1squete/185190468188462. QUAL O RECINTO DESPORTIVO QUE TE IMPRESSIONOU MAIS? Creio que, por motivos óbvios, o meu. Trata-se de um pavilhão com tudo, extremamente adequado à prática do basquetebol, e colocado numa região onde a densidade populacional é muito baixa. É o Pavilhão D. Bosco, em Évora. No Basketball quem foram as pessoas mais influentes? O meu Pai, ao comprar-me a minha primeira bola, e ao montar duas tabelas, frente a frente, uma a 3.05 m e outra a 2.60 m, num recinto coberto, com 7x3 m, onde joguei dos 8 aos 14 anos, e que era o único local disponível no concelho de Sousel, foi, sem dúvida, o mais influente. A NÍVEL PESSOAL Sou um Pai de família, com dois Filhos, um com 6 anos e outro com 6 meses, académico, que espera a data da defesa da tese de doutoramento em Química, marcada para 27 de Fevereiro de 2012. UM SONHO Morrer velho e feliz. GOSTO DE Amor. NÃO GOSTO DE Não gostar. E AGORA UM JOGO MENTAL.DIGO-TE UMA FRASE E RESPONDES O QUE TE VIER À IMAGINAÇÃO SE FOSSES MILIONÁRIO O QUE NÃO DISPENSAVAS TER A casa paga. E PARA TERMINARMOS COM HUMOR A TUA ANEDOTA PREFERIDA Só vale dita: “O que é um pormenor? É um perú com menos de 18 anos!” COMENTÁRIO FINAL Gostei muito. Pode repetir. OBRIGADO PELA SIMPATIA ENTREVISTADOR FERNANDO BORGES 2 2012
Nome Completo João Carlos A C C Ponte e Sousa Nacionalidade Portuguesa Data de Nascimento 02-08-1975 Clube Associação Basquetebol Alentejo Funçao Treinador Data da Entrevista: Fev 2011
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